A BRUSCA POESIA DA MULHER AMADA
Rio de Janeiro , 1938
"Longe dos pescadores os rios infindáveis vão morrendo de sede lentamente...
Eles foram vistos caminhando de noite para o amor — oh, a mulher amada é como a fonte!
A mulher amada é como o pensamento do filósofo sofrendo
A mulher amada é como o lago dormindo no cerro perdido
Mas quem é essa misteriosa que é como um círio crepitando no peito?
Essa que tem olhos, lábios e dedos dentro da forma inexistente?
Pelo trigo a nascer nas campinas de sol a terra amorosa elevou a face pálida dos lírios
E os lavradores foram se mudando em príncipes de mãos finas e rostos transfigurados...
Oh, a mulher amada é como a onda sozinha correndo distante das praias Pousada no fundo estará a estrela, e mais além."
Uma idealização da mulher- dita amada- capaz de oferecer aquilo inatingível. O encontro do amor e ódio, do medo e do fôlego tranquilo. Calmaria e vendaval. A necessidade da mulher com todas suas formas internas e externas.
"Longe dos pescadores os rios infindáveis vão morrendo de sede lentamente...
Eles foram vistos caminhando de noite para o amor — oh, a mulher amada é como a fonte!"
Eles foram vistos caminhando de noite para o amor — oh, a mulher amada é como a fonte!"
Comparar a mulher com aspectos naturais deixa a poesia singela, utópica. Ao colocar pescadores escolhendo um caminho diferente do que era necessário, mostra o que os olhos juntamente com um coração apaixonado consegue fazer. A mulher amada se torna fonte, se torna um alimento da alma, do bombear do coração, do manter-se vivo.
A mulher amada é como o pensamento do filósofo sofrendo
A mulher amada é como o lago dormindo no cerro perdido
Mas quem é essa misteriosa que é como um círio crepitando no peito?
Essa que tem olhos, lábios e dedos dentro da forma inexistente?
O que alimenta a mente de um filósofo a não ser os seus pensamentos mais agonizantes? Essa comparação feita com a idealização da mulher, mostra a necessidade do homem em pensar, em viver, sofrer, amar.
Mais uma vez uma comparação com aspectos naturais (Cerro: morro), capaz de transmitir o que de mais belo, solitário, um momento dito único. A cena transmitida neste verso mostra a delicadeza de um lago próximo a uma montanha, um lugar perdido, um lugar singelo. A mulher capaz de fornecer amor, também fura o peito como um (Círio:planta com espinhos). Essa forma inexistente torna a mulher algo divino, formas incomuns, porém cheia de luz e mistérios como divindades que estão por toda parte.
Pelo trigo a nascer nas campinas de sol a terra amorosa elevou a face pálida dos lírios
E os lavradores foram se mudando em príncipes de mãos finas e rostos transfigurados...
Oh, a mulher amada é como a onda sozinha correndo distante das praias Pousada no fundo estará a estrela, e mais além.
Os versos mostram o encantamento, o que o encontro dos amores podem deixar algo mundano em algo sobrenatural. Os trabalhadores em príncipes com "mãos finas" transporta o pensamento para um conto encantado. A mulher com a leveza de uma onda, e paisagem sutil com uma estrela no meio da imensidão, no infinito.
