"São demais os perigos desta vida
Pra quem tem paixão principalmente
Quando uma lua chega de repente
E se deixa no céu, como esquecida
E se ao luar que atua desvairado
Vem se unir uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher...
"

sábado, 1 de março de 2014

Vivendo

A BRUSCA POESIA DA MULHER AMADA 

Rio de Janeiro , 1938


"Longe dos pescadores os rios infindáveis vão morrendo de sede lentamente...
Eles foram vistos caminhando de noite para o amor — oh, a mulher amada é como a fonte!

A mulher amada é como o pensamento do filósofo sofrendo
A mulher amada é como o lago dormindo no cerro perdido
Mas quem é essa misteriosa que é como um círio crepitando no peito?
Essa que tem olhos, lábios e dedos dentro da forma inexistente?

Pelo trigo a nascer nas campinas de sol a terra amorosa elevou a face pálida dos lírios
E os lavradores foram se mudando em príncipes de mãos finas e rostos transfigurados...

Oh, a mulher amada é como a onda sozinha correndo distante das praias Pousada no fundo estará a estrela, e mais além."





Uma idealização da mulher- dita amada- capaz de oferecer aquilo inatingível. O encontro do amor e ódio, do medo e do fôlego tranquilo. Calmaria e vendaval. A necessidade da mulher com todas suas formas internas e externas.


                "Longe dos pescadores os rios infindáveis vão morrendo de sede lentamente...
           Eles foram vistos caminhando de noite para o amor — oh, a mulher amada é como a fonte!"

Comparar a mulher com aspectos naturais deixa a poesia singela, utópica. Ao colocar pescadores escolhendo um caminho diferente do que era necessário, mostra o que os olhos juntamente com um coração apaixonado consegue fazer. A mulher amada se torna fonte, se torna um alimento da alma, do bombear do coração, do manter-se vivo. 


A mulher amada é como o pensamento do filósofo sofrendo
A mulher amada é como o lago dormindo no cerro perdido
Mas quem é essa misteriosa que é como um círio crepitando no peito?
Essa que tem olhos, lábios e dedos dentro da forma inexistente?


O que alimenta a mente de um filósofo a não ser os seus pensamentos mais agonizantes? Essa comparação feita com a idealização da mulher, mostra a necessidade do homem em pensar, em viver, sofrer, amar. 
Mais uma vez uma comparação com aspectos naturais (Cerro: morro), capaz de transmitir o que de mais belo, solitário, um momento  dito único. A cena transmitida neste verso mostra a delicadeza de um lago próximo a uma montanha, um lugar perdido, um lugar singelo.  A mulher capaz de fornecer amor, também fura o peito como um (Círio:planta com espinhos). Essa forma inexistente torna a mulher algo divino, formas incomuns, porém cheia de luz e mistérios como divindades que estão por toda parte.


Pelo trigo a nascer nas campinas de sol a terra amorosa elevou a face pálida dos lírios

E os lavradores foram se mudando em príncipes de mãos finas e rostos transfigurados...

Oh, a mulher amada é como a onda sozinha correndo distante das praias Pousada no fundo estará a estrela, e mais além.

Os versos mostram o encantamento, o que o encontro dos amores podem deixar algo mundano em algo sobrenatural. Os trabalhadores em príncipes com "mãos finas" transporta o pensamento para um conto encantado. A mulher com a leveza de uma onda, e paisagem sutil com uma estrela  no meio da imensidão, no infinito.